Mito#01
Popper nunca acreditou em nada parecido com o que isto sugere.
Ele escreveu:
“I do not imply, for instance, that we should always suppress the utterance of intolerant philosophies; as long as we can counter them by rational argument and keep them in check by public opinion, suppression would certainly be unwise.”
(“Não quero com isto dizer, por exemplo, que devamos sempre suprimir a expressão de filosofias intolerantes; enquanto as pudermos contrariar com argumentos racionais e mantê-las em xeque pela opinião pública, a supressão seria certamente imprudente.”)
Isto não é nenhuma justificação para leis contra o discurso de ódio. Pelo contrário, Popper parece ter chamado a essas leis “imprudentes”.
Para Popper, a intolerância não deve ser usada quando a expressão de ideias intolerantes nos deixa desconfortáveis, quando essas ideias parecem mal-educadas ou quando nos deixam mesmo furiosos. A intolerância – se é essa a palavra certa – só se justifica quando já estamos perante “punhos e pistolas”, ou, presumivelmente, pior.
Sabemos isto não só por uma leitura atenta das passagens que citei, mas também olhando para “A Sociedade Aberta e os Seus Inimigos” de forma mais ampla. O livro inteiro é uma exposição de ideias intolerantes, uma dissecação delas e uma defesa continuada e fundamentada do pluralismo. Aqui Popper mostrou ser liberal; o seu primeiro recurso foi apresentar um argumento racional. Só numa nota de rodapé considerou a possibilidade de usar a violência, e fê-lo com evidente desdém.
Para aprofundar o tema, lê este artigo.






